Como se o tempo estivesse a olhar para trás e não para a frente. Quando comecei a estudar Tradução na faculdade, ainda escrevíamos os textos à mão. Não tínhamos computador em casa nem a faculdade tinha disponíveis. Quando estava no quarto ano, acabei por comprar o meu primeiro computador com Windows 386 a prestações, porque era recente em Portugal e não era barato. A maioria (das empresas!!) em Portugal usava computador com MS-DOS. No quarto ano da faculdade tínhamos uma cadeira de informática na ótica do utilizador com, precisamente, MS-DOS. Em casa, já eu me estava a familiarizar com o Windows 386 e a dizer maravilhas dele em relação à facilidade de utilização. Quanto ao MS-DOS, nunca o utilizei em mais lugar algum!! Comecei a utilizar o computador para traduzir e era só sentir diferenças em relação aos textos manuscritos! Mas tinha um professor que não aceitava muito bem as novas tecnologias e o uso de computadores para fins de tradução. Já era um motivo de crítica, claro, entre outros, com certeza. Mas as pessoas são diferentes. Eu não sou uma pessoa que fico parada a olhar para o papel/ecrã até encontrar na minha cabeça a frase perfeita! Eu sou impulsiva (uma espécie de pêndulo, em oscilação), a cabecinha está em constante movimento que tem de ir lendo imediatamente à medida que vai saindo… no papel, imaginem, eram demasiados os rabiscos, a apresentação final era horrível, cheia de rasuras, é verdade! Mas no ecrã… rasurar era perfeito, a substituição era muito rápida e isso veio facilitar-me tudo, escrita, tempo, ferramentas de escrita… maravilhoso! Obviamente, quando fui estagiar para o gabinete alemão, não se trabalhava lá com MS-DOS, mas sim já com Windows e versão mais avançada. A adicionar à experiência em tradução, acabei por ter formação adicional em ferramentas computacionais. Portanto, desde cedo que sempre me habituei a aprender ferramentas de apoio ao trabalho, mais especificamente, de apoio à tradução. A evolução era uma linha contínua, sempre com sensação e experiência de progressão. A tecnologia existia para isso mesmo, mas incluía o profissional como a parte essencial e de respeito da tarefa. Não desde há muito tempo, esse respeito tem vindo a diminuir, o profissional já não é considerado a mais-valia, é considerado a ferramenta em prol de algo maior que lhe ocupa o lugar de mais-valia. Então, o respeito deu lugar a um certo desrespeito e desconsideração. A IA não precisa de pagar casa, nem alimentação, nem água, nem luz, nem outras necessidades essenciais. O profissional continua a ter de pagar tudo isto e ainda mais. Não sou contra a IA, mas não vou olhá-la como aquilo que não é. Vou olhá-la como uma ferramenta e vou tratá-la como tal. Se quero escrever os meus pensamentos, sentimentos e dar azo à minha imaginação, sai de mim, não de uma IA. Como tal, não sou eu que me quero robotizar. Eu não quero isso. Eu não quero viver vendada por uma IA mal-(in)formada, eu quero ver as coisas com e pelos meus próprios olhos. Por isso, utilizo a IA para aquilo que entendo ser útil, mas não vital para mim. E duvido sempre da resposta da IA quando pesquiso alguma coisa. Ela já me devolveu respostas erróneas muitas vezes. A maior parte das vezes, vou procurar em documentos reais e até oficiais. Tecnologia, com certeza, mas para andarmos todos de modo incluído para a frente, não para trás e excluindo uma boa parte da humanidade!

It's as if time is looking backward, not forward. When I started studying Translation at university, we still wrote texts by hand. We didn't have a computer at home, nor did the university have one available. When I was in my fourth year of studies, I ended up buying my first computer with Windows 386 on credit because it was new in Portugal and not cheap. Most (companies!!) in Portugal used computers with MS-DOS. In my fourth year at university, we had computer science lessons focused on the user's perspective, specifically MS-DOS. At home, I was already familiarizing myself with Windows 386 and raving about its ease of use. As for MS-DOS, I never used it anywhere else!! I started using the computer to translate, and I could only feel the differences compared to handwritten texts! But I had a professor who didn't accept new technologies and the use of computers for translation purposes very well. That was already a reason for criticism, of course, among others, for sure. But people are different. I'm not the kind of person who sits staring at the paper/screen until I find the perfect sentence in my head! I'm impulsive (a kind of pendulum, constantly oscillating), my little head is in constant motion, I have to read immediately as it comes out… on paper, imagine, there were too many scribbles, the final presentation was awful, full of erasures, it's true! But on screen… erasing was perfect, the replacement was very quick and that made everything easier for me: writing, time spent, the writing tools… wonderful! Obviously, when I did my internship at the German office, they didn't work with MS-DOS anymore, but with Windows and a more advanced version than my own. Adding to my translation experience, I ended up having additional training in computer tools. Therefore, from early days I got used to learn tools that support the overall work, and specifically those that support translation. The evolution was a continuous line, always with a feeling and experience of progression. Technology existed for that very reason, but it included the professional as the essential and respected part of the task. Not long ago, this respect began to diminish; the professional is no longer considered the added value, but rather a tool serving something greater that occupies their place of greater worth. So, respect has given way to a certain disrespect and disregard. AI doesn't need to pay for housing, food, water, electricity, or other essential needs. The professional still has to pay for all of that and more. I'm not against AI, but I won't look at it as something it's not. I'll look at it as a tool and treat it as such. If I want to write down my thoughts, feelings, and give free rein to my imagination, let it come from me, not from an AI. As such, I don't want to become a robot. I don't want that. I don't want to live blindfolded by a poorly informed AI; I want to see things with and through my own eyes. Therefore, I use AI for what I understand to be useful, but not vital to me. And I always doubt the AI's answers when I research something. It has given me wrong answers many times. Most of the time, I'll look in real, even official, documents. Technology, for sure, but so that we can all move forward in a way that includes everyone, not backward and excluding a great part of mankind!

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